domingo, 18 de janeiro de 2009

Conto do Fragmento III

Foto de Lia Costa Carvalho

- Ah que bom! Voce está começando a pensar a respeito da minha proposta.

- Eu não falei nada, Frank!

- Eu sei...

- Ah, Frank! Eles não tinham dado um jeito nisso? O que aconteceu? Por que voce está usando novamente?

- Tem a ver com a Meredite...

- Meredite, não!

- Meredite sim, Cerys. Tem algo que você não sabe sobre ela... Ela foi enviada para me destruir. Como ela não conseguiu, algo está prestes a acontecer com ela. Por isso tenho que morrer, preciso evitar que ela seja exterminada.

- Você quer que eu acredite que ao morrer, você irá salvá-la?

- Eu não vejo outra saída. Não posso utilizar os canais para deixar meu corpo de livre e espontanea vontade. Você sabe... me induzir a morte é a única saída.

- Você sabe que eu não acredito nisso, não sabe?

- Você me lembra a Scully... (risos) a matemática tem variáveis. Ouça-me: A Meredite foi criada por mim.

- Você se apaixonou por uma criação sua?!

- Mais ou menos isso. Não sabia que ela, era ela. Quando descobri era tarde demais. Eu nunca pude estar por inteiro aqui. Precisava dela para existir nos dois (três) mundos... E agora ela está indo embora... Se ela for, eu também irei, entende?

- Não. Uma mulher que não existe, que foi criada por você, e quando morrer levará você junto. Cristo! O que você anda tomando?

- "Minha querida Scully", você é, era, não sei mais, minha única droga, . Eu preciso muito de você! Pode ver isso?

- Não, não posso ver, não posso acreditar.

- Pode ao menos sentir o que se passa comigo?

- Eu quero acordar, Frank. Isso não está acontecendo. Eu juro que é um pesadelo! Mas vamos supor que tudo isso seja real... Resumindo: Eu preciso lhe matar e salvar ao mesmo tempo para que você salve Meredite e assim não morra. Se você conseguir salvá-la lá, poderei salvá-lo aqui, e se isso não acontecer eu não consigo trazê-lo de volta, não é? (suspiro) eu não queria estar no meu lugar, eu não queria, Frank! Eu não quero!

- Só tem uma variante que você não está considerando...

- O que?

- Você pode não conseguir me trazer de volta, mas não estarei morto, necessariamente...

- Fantástico! Ficarei aqui sem saber de nada...

- É... Mas você tem uma outra opção?

- E qual é? Ah, espera! Nem sei se quero ouvir isso... Fala!

- Vem comigo!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Dez compositores para se levar num boteco e ouvir o cd ou porque o Renato Abreu fez "As 10 mulheres..."

Josh Ritter nasceu em Idaho, mas ao ouvir Dylan e Cash, tratou de mudar para Boston, e a partir daí perseguiu seu sonho. Gravou o primeiro cd em 1999, mas só foi notado em 2002. Fã de Joana D'arc, Calamity Jane e Florence Nightingale, Josh é um folker nato e emociona quando canta.

http://www.joshritter.com





Mike nasceu numa terra onde a fama pela hospitalidade e bebida chega a ultrapassar as diferenças religiosas de seu povo. Mike Scott lidera até hoje o Waterboys. Já pôs o pé na estrada e escreveu sobre seus caminhos tortuosos num album chamado "Bring'Em All", que meu amigo Júlio César comprou pra mim num sebo em São Paulo. Mike Scott é autor de "What do you want me to do?" e consequentemente um muso inspirador. Quantos chops? Nenhum, ele é muso, e você sabe, muso é intocável!
www.myspace.com/mikescottwaterboys




Fã de uma boa tequila, Chris é um dos caras do "Paisley Underground". Nos anos 80 vários Lps ligados a tal 'movimento' foi lançado por aqui e totalmente subestimado. Lembro que xingamentos por carta e telefone foram dirigidos a um certo programa de rock, na rádio universitária, por os produtores insistirem em tocar 'esses americanos'. O Sr. Cacavas continua o seu legado em músicos como os srs. Convertino e Burns. Tocou entre outros com Green on Red - Danny and Dusty - Steve Wynn - Giant Sand. Sítio oficial do Green on Red




Esse nem precisa gastar muito verbo: ele leva a bebida e ainda canta pra você! Criador de uma das bandas mais significativas nos anos 80, The Replacements, Paul tem música pra dar e vender. Alguém precisa trazer esse cara pra tocar aqui!
www.myspace.com/paulwesterberg



Stew tem papo para "dozen of chopps". Americano, morou na Alemanha, adora música brasileira e é um comprador de vinil por exelencia. Certa feita me pediu para traduzir "Cravo e Canela" do Milton Nascimento. Dono de um humor e inteligencia fora do normal. Ele diz que letra não tem importancia, mas capricha na hora de fazer uma. Certamente não encontra-se nenhum dos seus albuns na lista daqueles que você tem que ouvir antes de morrer, viu Pata? Recomendo ouvir, em todo caso...
Negro Problem sítio oficial




Chris tem mais de 1.80 de altura, magro e gosta de beber cerveja. Nasceu no estado de Nova Iorque. Depois de quase 20 anos em São Francisco, mudou-se para Seattle. Compositor inspirado e colecionador de grandes refrões dentro do powerpop. Ganhei dele o apelido de kisser lady. Recentemente teve a colaboração da maravilhosa Neko Case em sua música. Dizem que ele parece com o Dave Grohl. Vários chopinhos. www.myspace.com/cvsmusic






Kyle constará nessa lista, não apenas por sua "beleza". Ele é um defensor radical da natureza, gentil, educado e tem uma voz afinada, coisa rara numa época em que se afina a mais desafinada das criaturas. Admirável também por seu romantismo, cultura e elegancia. Kyle disse certa feita que queria gravar algo em portugues... www.myspace.com/kylevincent



Jody Stephens é baterista de uma banda chamada Big Star. Claro, a maioria ressalta o Alex Chilton, afinal, ele é o dono das palavras, e o homem de frente da banda. Jody tocou também no primeiro album da Golden Smog junto com os caras do Jayhawks e Jeff Tweedy do Wilco. Chopps? Huuum... Estou pensando... Claro que sim! www.myspace.com/bigstarband
www.myspace.com/goldensmog





Todd Rundgren é mais conhecido como padrasto da Liv Tyler do que por sua música. Uma pena, porque Todd é um talentosíssimo compositor por décadas e décadas. Minha amiga Amarilis tomaria vários chopinhos com ele. Você não? Melhor pra ela!! Ele é todo seu, Amarilis!
www.myspace.com/toddrundgrenmusic















Ele toca piano, sintetizador, clarinete, flauta,violão e alguma coisa no baixo. Será que merece um pouco da sua atenção? Gilbert Alexander Gabriel nasceu na Inglaterra. É o co-autor da belíssima "Life in Northern Town" feita em homenagem ao Nick Drake quando ainda era do Dream Academy. www.myspace.com/dreamacademy

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Fragmentos de um conto II

- Lembra que eu lhe falei, que só me casaria quando eu estivesse preparada para dividir voce com outras?

- Sim, eu lembro. Lembro que disse que voce seria a primeira a saber, quando isso acontecesse, quero dizer, quando houvesse outra mulher.

- É verdade. Só que eu não cogitei a possibilidade de uma alucinação, ou sei lá, como eu posso chamar isso!

- Cerys... Meredite não é uma alucinação! Ela está em mim! Lembra do filme Contato?

- Sim, lembro. O que tem esse filme?

- Sinto-me como o personagem da Jodie Foster. E voce é o James Woods. No final do filme, numa espécie de tribunal, o personagem do James pede para ela admitir que nada aconteceu. E ela diz que não pode fazer aquilo, porque viveu, sentiu tudo o que se passou naqueles "segundos"... Lembra?
Cerys, eu não posso negar a Meredite, mas ela sumiu... Sumiu alguns dias depois de você me deixou... Ela sumiu! Eu sei que você ficou chocada com o meu pedido, mas eu sei o que estou dizendo e sei como voce deve fazer.

- Você vai me ensinar como lhe matar? Era tudo que eu precisava... Frank, Frank, Frank

" Frankly, Mr. Shankly, since you ask You are a flatulent pain in the arse I do not mean to be so rude Still, I must speak frankly, Mr. Shankly"

- Lá vem você com sarcasmo... E musicado pelo Moz!

- Muito obrigada Frank, mas eu vou recusar o seu pedido. Não ando muito a fim de matar ninguém! Muito menos o cara com quem me casei, por favor, né?

- Olha, eu não pediria isso a mais ninguém!

- Estou lisonjeada!

- Eu não quero morrer pra sempre.

- Como não se morre para sempre?

- É por isso que peço a voce. Eu confio em voce. Quero que me traga de volta.

- Muito bem, Frank! Agora voce está me dando o cargo de deus!

- Eu vou lhe explicar tudo. Não tem como voce errar.

- Eu não quero saber, Frank. Eu não quero saber. Mas eu quero saber de uma coisa: Isso tem a ver com a Meredite? E isso tá parecendo filme de Hitchcock... Pacto Sinistro... Mas quem vai me matar?

- Voce está distorcendo o filme. Aqui só existe eu e voce e mais ninguém! Não confio em mais ninguém. A missão é toda sua, Cerys. Eu quero voce, eu escolhi voce.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Fragmentos de um conto

Uma mulher flutuando na água em Weeki Wachee Spring, Florida. Foto de Toni Frissell publicado em Harper’s Bazaar, dezembro de 1947.

Frank - O que você quer de mim?

Meredite - Todos os fragmentos, pensamentos e poros. Tudo isso e algo mais...
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- Ela não quer falar comigo. Alias, todas as pessoas que tentei falar ontem, à noite, me disseram não. Me sinto estranho, como se estivesse num mundo onde desconheço fatos, pessoas, cidades... Estou sem direção...

- Olha Frank , eu nem sei o que te dizer. Eu nem esperava te encontrar aqui.

- Pois é, eu não consigo ficar em casa. Uma angustia enorme toma conta e não sei o que fazer. Nunca estive numa situação parecida. Estou perdido.

- Não diga isso!

- Estou mesmo! Quero muito que o tempo ganhe uma velocidade tremenda. A cura talvez esteja nele, mas é tão devagar, tão torturante...É uma dor forte. Já deveriam ter inventado um remedio que vendesse em todas as farmacias. Não, melhor ainda, seria distribuido gratuitamente nas ruas: "Cure sua dor de amor agora! Basta tomar 2 comprimidos, 2 vezes ao dia, por uma semana"! E claro, além da cura, ele criaria uma certa resistencia, a próxima dor não seria tão intensa.

- Voce está maluco! Por que foi se apaixonar por alguem que não existe?

- Aaaaaah Cerys! Ela existe sim! Por que voce não acredita em mim?

- Porque eu nunca vi essa mulher! Onde ela está? Apenas nos seus sonhos? Vamos lá, Frank, de-me algo concreto!

- O que sinto é real. O que sinto é concreto, como diz. Eu não posso negar isso, simplesmente não posso! O que é que voce quer que eu faça? Eu me sinto muito bem quando estou com ela. E voce diz que não é real?!

- É por isso que se chama sonho, Frank, o que não está nessa dimensão... É por isso que eu quero que voce acorde e seja quem era antes de tudo isso começar...

- Eu não posso. Eu não posso ser mais o que era antes. Meredite mudou tudo em mim...

- Eu não sei mais o que fazer com voce... Juro que não sei...

- Eu sei o que você pode fazer por mim...

- O que eu posso fazer por você?

- Por favor, mate-me!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os Intrusos por Braulio Tavares

A Sincronicidade, a ciência das coincidências significativas, implica na idéia de um campo semântico inconsciente, que nos empurra (sem que a gente perceba) na direção de informações que vibram em uníssono com o momento mental que estamos vivendo. Pode ser um estado de espírito passageiro, que dura algumas horas ou dias, e pode ser uma sintonia com áreas mais profundas, com o momento histórico que atravessamos.
Caiu-me sob os olhos, numa antologia, um conto que eu já lera mais em português, e cujo título em inglês ("The Interlopers" – "Os Intrusos, ou Os Intrometidos, ou Os Que Interferem") não reconheci. O conto é de "Saki", pseudônimo de H. H. Munro, um mestre britânico da história curta que morreu na I Guerra Mundial. O conto se abre narrando a rixa secular entre duas famílias nos Montes Cárpatos. Por causa uma imprecisão na demarcação da fronteira entre as propriedades, as duas famílias vivem se agredindo e se matando há gerações.
Certa noite tempestuosa, Ulrich Von Gradwitz percorre o bosque à procura de intrusos quando se defronta com seu inimigo histórico, Georg Znaeym. Mal os dois erguem as armas um contra o outro, um raio se abate sobre uma árvore próxima, que cai sobre os dois, machucando-os. Ulrich e Georg sobrevivem, feridos, presos sob os galhos, impossibilitados de se mover. Enquanto a tempestade prossegue, os dois começam por se amaldiçoar mutuamente, cada um deles dizendo que quando for encontrado cuidará para que o outro seja fuzilado. As horas passam. A tempestade cessa. Ulrich consegue tirar do bolso um frasco de vinho, do qual toma alguns goles que o reanimam. Oferece-o a Georg. O outro aceita.
Daí a pouco os dois estão conversando, tirando a limpo suas dúvidas, suas rivalidades, a longa história de ódio entre as duas famílias. E um deles faz a proposta: por que não acabar com tanta violência inútil? E se, quando forem salvos, chamarem suas famílias, explicarem o quanto aquela guerra é insensata? Ulrich e Georg se entusiasmam com essa possibilidade; e começam a gritar para atrair a atenção das pessoas que àquela altura certamente estarão, de um lado e do outro, à procura dos dois. Ouvem um rumor distante, e, à luz da lua, percebem vultos que correm na sua direção, cada vez mais próximos, atraídos pelos gritos. Georg pergunta: "São os meus homens? São os seus?" E Ulrich, com uma risada de desespero: "Não. São lobos".
O que tem isto a ver com Sincronicidade? Tem o fato de que este conto me retornou durante estes dias em que as nações do mundo se debatem em desespero, tentando tapar rombos de trilhões de dólares que elas mesmas fizeram, nas suas concorrências e guerras insensatas. Vivem hoje um desastre que elas mesmas plantaram: a crise ambiental, a falência da produção de alimentos, e estão vendo a aproximação dos Lobos da Barbárie. Tomara que eu esteja errado, e que um dia, cofiando uma longa barba branca, possa murmurar: "Como eu era pessimista em 2008!"

Texto de Braulio Tavares, publicado no Jornal da Paraiba, 30/12/2008. Visite Mundo Fantasmo

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Uma música, um delírio...

Zach na beira-mar em algum lugar do planeta... Inspirado?

Em Elephant Gun - Zach Condon tem umas respirações estranhas, não consigo respirar igual a ele ao cantar :)
Não sei se você reparou nisso... Ele não tem uma respiração "padrão" quando canta :) Mas isso não importa! É apenas uma curiosidade, ele é muito bom :)

Esqueci de dizer que lembra muito, bandas dos anos 80 - tipo Dexy's Midnight Runners (acho que você não gosta), Band of the Holy Joy, The Men They Couldn't Hang, Hothouse Flowers, etc. Beirut é mais low-fi se for comparar com todas essas que citei... Se bem que, a idéia inicial, apenas com o Zach sozinho, era bem low-fi mesmo. Ele gravou o primeiro álbum todo em casa :)

Huuuummm não conheço nada disso hehehe. Sabe porque escutei essa música? Porque tocou naquela minisérie da globo, Capitu, e é o tema do Bentinho e a Capitu. Achei uma droga a série e só assisti aquele capítulo :) mas a música ficou na minha cabeça.

Essa música fala da juventude em geral, é linda, bucólica e estranha ao mesmo tempo.
Eu reparei na respiração dele, apenas a inicial, que ele suspira... tava vendo a letra e é algo bem diferente do que tinha entendido, não é?

Sim, ele inspira no início da música. O lance é quando ele canta: As did I, we drink to die, we drink tonight - acho estranho porque se você for cantar, sentirá que não há necessidade de respirar nesse momento, antes de dizer "we", entende? Cantando normalmente não precisa uma tomada de ar nesse instante, acho estranho, parece até que ele tá querendo complicar, well... Ele repete isso mais na frente quando diz: it's not aorund.

Para mim, a letra, tem a ver com uma batalha - a música tem ritmo de marcha - algo marcial - não no início logo. Elephant gun é um espécie de rifle - nos versos: Far from home, elephant gun/Let's take them down one by one - isso é bem claro, longe de casa, ele abate o inimigo - e também em: take the big king down. O Zach é americano, mas desde os 16 anos caiu na estrada e passou muito tempo viajando pela Europa. Daí essa sonoridade meio spanish, escocesa, irish, british em sua música.

Agora me ocorreu uma imagem meio bizarra, tipo filme do David Lynch - um cara com um rifle de ar, atirando naqueles bonecos, em barracas de circo ou parques de diversões :) e essa música tocando... Independente disso, a sonoridade é bela, muito bem construída, melodia e ritmo. Harmonia fantástica e simples :)

Você já ouviu Calexico? Eles fazem uma linha semelhante, só que são bem anteriores ao Beirut e menos mainstream.

Parou, parou :)

Beijos, vou dormir - assim não escreverei mais :)

Uau, poderia colocar nossa conversa em um blog, daria um belo post...

Vou conhecer Calexico! :)

Bjoss

Posso?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

The Future is so Bright Dois

Desci do carro. Atravessei a pista. Em direção ao terminal, a sensação de vazio. Se cada pessoa da qual me despedi, durante a existência, levou um pedaço de mim, resta-me muito pouco... Ou talvez não reste mais nada... Nada que valha a pena ser arrancado, nada que não tenha sido vivido, nada que não esteja dilacerado, nada que irá transmutar... My goal is more than a thought/I'll be there/When I teach what I've been taught... Tudo está conectado... Posso desligar ou conectar o que desejo... Será? Nada é tão controlável assim... Eu sei que... Não gaste seu tempo. Não gaste tempo. E mais uma vez lembro de palavras cantadas... Sweet memories/Flashing very quickly by/Reminding me/And giving me a reason why
Esse é o tempo - pés na areia quente e o sol rachando o juízo. Cada caminho, na cabeça, está. Isso é traçado a cada minuto, mesmo que o vento encapele a onda, uma hora será a direção, há muito escolhida e ainda não vivida... Waiting for the winds of change/To sweep the clouds away/Waiting for the rainbows end/To cast its gold your way/Countless ways/You pass the days/Waiting for someone to call/And turn your world around/Looking for an answer to/The question you have found/Looking for/An open door....